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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

Tampões, o nosso inimigo mais íntimo?!

TAMPÕES.jpg

 

Spoiler alert, que é como quem diz, Red alert, bamos falar de coisas de gajas (ou senhoras gajas :P)

Nunca fui muito à bola com os tampões. Chamem-me old school mas sempre os usei somente quando era estritamente necessário - tipo quando combinamos ir à praia ou à piscina e o raio da "história" apareceu ou temos um evento qualquer e tinhamos programado uma fatiota não compatível com aqueles dias do mês... Uma coisa assim do género...

Conheço pessoas que os usam desde sempre e sempre, inclusivamente durante a noite, mas eu devo confessar que nunca fui capaz de o fazer. Primeiro porque não devo ser muito jeitosa a colocar a coisa e, nas primeiras utilizações magoei-me e como não ficavam bem colocados ficava-me a doer horrores... Segundo, porque quando comecei a usar estava em voga o mito urbano que o dito tirava a virgindade (não me querendo esticar nos comentários, perder a virgindade com um pedaço de algodão revestido em celulose não era opção para a minha cabeça romântica). E finalmente em terceiro lugar, porque devo ser uma das 5 pessoas que leu, de fio o pavio, a bula que vêm nas embalagens dos tampões e, como caginchas que sou, fiquei sempre com muuuuuito medo que aquela cena rara de que lá falam do síndrome do choque tóxico (SCT). Devia ter uns 14 anos quando li a primeira vez sobre o assunto e nunca mais me esqueci disto... Ah mas é de referir que para que esta informação constasse obrigatoriamente das embalagens tiveram de morrer mais de 20 mulheres vítimas deste choque tóxico.

Resumidamente, este síndrome raro resulta da proliferação anormal de uma bactéria fatal - o estafilocosos aureus- que existe inocentemente na flora vaginal de algumas mulheres mas que encontra, com a utilização dos tampões, as condições necessárias de cultura  para se desenvolver exponencialmente e provocar um choque séptico tão grave e massivo que, infelizmente, se torna muitas vezes mortal nas utilizadoras dos tampões. Claro que há medidas, tais como mudar frequentemente de tampão, não escolher os mais absorventes porque esses, como recolhem mais fluxo, acabam por fornecer mais alimento às bichas e nunca se devem utilizar por mais de 8 horas sem substituição - o que por si só muitas vezes contra indica a sua utilização nocturna)  que até podem reduzir a probabilidade disto acontecer mas ela existe sempre!

Estive muito tempo sem pensar sobre o assunto porque sempre me dei bem com as minhas escolhas para estes dias do mês mas ontem bati o olho num documentário sobre o assunto (que, pasmem-se já não está disponível online) e fiquei estupefacta! Talvez já seja do vosso conhecimento mas eu estava mesmo a leste do paraíso: a utilização dos tampões pode acarretar muitos mais problemas de saúde do que o próprio SCT, como se isto não bastasse...

Depois de ver a reportagem até ao fim (que recomendo a todas que façam, como mulheres mas também como mães - hoje somos nós, amanhã as nossas filhas) e, como não tinha nenhuma embalagem de tampões cá em casa, agarrei nos miúdos (que estivemos este fim de semana só os três) e fui ao super buscar mantimentos (entenda-se gordices para a mãe aguentar duas melgas, uma delas doente, sozinha um fim de semana inteirinho =P) e comprovar que as mesmas, tal como é indicado na peça, não têm qualquer indicação da sua composição. Isso mesmo que leram: nas embalagens dos tampões (bem como na dos pensos higiénicos ou mesmo das fraldas) não há qualquer referência dos seus componentes! Esta omissão é estrategicamente calculada pelas marcas  para que se possa encobrir a utilização de elementos nocivos ao organismo humano, tais como a digoxina, os ftalatos, o formol e o cloro! Volto a dizer que leram bem, além do SCT a utilização dos tampões expõe as mulheres a:

  • Dioxina e cloro - são subprodutos industriais, já classificados pela Organização Mundial de Saúde como perigosos mas mesmo assim são utilizados no branqueamento da celulose que reveste os tampões, os pensos e as fraldas duplica o risco de câncer da bexiga e do reto. As dioxinas são ainda teratogénicas (responsáveis por mutações fetais) e mutagénicas (provocam a mutação genética celular que pode conduzir ao cancro);
  • Ftalatos- grupo de compostos químicos muito utilizados como aditivos para deixar o plástico mais maleável que podem provocar alterações hormonais, pelo fato de imitarem os efeitos dos estrogênios naturais. Não bastasse tudo isso, ainda são potencialmente cancerígenos e aumentam do risco de aborto e de diabetes gestacional;
  • Formol ou formoldeído - liquido de cheiro forte e tóxico utilizado na conservação de cadáveres ou de peças cirúrgicas para que possam ser estudadas e analisadas, que aumenta o risco de desenvolvimento de câncer, em especial de nasofaringe e leucemias. A sua utilização fora de ambiente hopitalar já está proibida desde 2009 dado o seu grau de toxicidade ao Homem, mas ao que parece ainda compõe (os estudos dos componentes dos tampões datam de 2016) os tampões.

Peço imensa desculpa se estou a ser curta e grossa, mas penso que não é caso para menos. Através dos tampões, caríssimas, estamos a ser envenenadas!! Isso mesmo, estamos a ser envenenadas sem sabermos!

Agora vocês dizem: Oh Inês mas não estarás a ser alarmista?! Esses componentes estão presentes em tantas outras coisas, até nos pensos e nas fraldas, porque é que estás a fazer aqui um bicho de sete cabeças dos tampões?!

E a minha resposta é: não, não estou! Uma das vias de administração dos medicamentos é a vaginal e sabem porquê? Porque sendo uma zona altamente vascularizada, potencia a absorção em quase 10 vezes o produto, ou seja, tudo o que colocamos na perseguida (conheci esta designação há uns anos a adoptei-a porque me parece catita :P) é extrapolado em 10 vezes. E agora, já vos parece grave? Que estejamos a ser intoxicadas através de um dispositivo que utilizamos durante vários dias, todos os meses, sem sabermos, por substâncias já conhecidas por serem responsáveis por infertilidade, endometriose, cancro, risco de aborto, etc?

Sou a maior defensora que cada uma de nós deve fazer aquilo que lhe parece melhor para si e para os seus, se a sua tomada de decisão for CONSCIENTE!  E para isso temos de estar na posse de todas as informações disponíveis sobre o assunto, o que no presente caso, deliberadamente NÃO ACONTECE!!

Lamento muito que a reportagem que sintetizava tudo aquilo que tentei resumir acima e demonstrava com estudos laboratoriais e casos clínicos já não se encontre disponível na RTP play e que, este mesmo vencendo de vários prémios internacionais, apenas tenha passado na RTP 2 a um horário que a grande maioria de nós não tenha conseguido ver... Coincidência?! Já estou como a outra, não há coincidências...

De qualquer forma, basta googlarem o assunto para perceberem isto que vos digo, a sua gravidade para a saúde pública, para a nossa saúde e das nossa filhas. Parem de nos tomar por parvas e de nos envenenar.

Trata-se uma birra mais séria que o habitual mas à luz dos conhecimentos dos nossos dias penso que é CRIMINOSO esconder esta situação das mulheres!

By the way e falando de alternativas, alguém usa o copo menstrual? Qual? É desta que me vou debruçar à séria sobre o assunto por isso todas as informações e dicas são muito bem vindas ;)

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