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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

Mindfulness à Moda do Porto!!

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Há uns dias, em conversa com uma pessoa com quem me cruzo quase diariamente e com a qual troco sempre umas palavrinhas (ahhh e tal como vai a vida? vai bem obrigada, e a sua?), dizia-me:

"Já viu que está sempre bem disposta?!"

"Eu?! Sempre bem disposta?! Nem por sombras..."(Olha-me este... Deve tar tolo, só pode! Quem me dera estar sempre bem disposta!) 

"Não me lembro nunca de a ver com má cara ou de ter uma má resposta. Encontra sempre alguma coisa simpática e positiva para dizer ou fazer..."

Com certeza que não se cruzou comigo hoje de manhã, que estava cá cum camadão de nervos, sono e má figadeira que até me estava a irritar a mim própria nem há uns anos tampouco, altura em que vivia com o espírito de que todos me deviam e ninguém me pagava, sabem como é? Vivia com o rei na barriga, eu é que sabia e respondia sempre com 4 pedras na mão. Nem sei como tinha amigos na altura (mas quem é que aturava uma gaja insuportável assim? Vá, não saiam já todos do buraco, seus ratos, que eu também vos aturei muito, tá?=P) mas fiquei cá a matutar no assunto: será que sou mesmo assim? Sempre bem disposta ou é só a impressão que dou aos outros?

Ora, não sou especialista na matéria mas assim de repente diria que as porradas que a vida se encarregou de me dar moldaram à cacetada o meu feitiozinho de merda (não é que não o continue a ter, mas digamos que está mais "aceitável") fazendo com que me esforce quase sempre (quando a sanidade mental me permite, claro) para olhar para o copo meio cheio. Percebi, à marretada, que não ganhamos nada em nos arreliarmos com as coisas que não controlamos. Por exemplo, rebenta-se um pneu ou rebocam-nos o carro, de que adianta ficar a lamentar "só a mim é que acontecem destas coisas", "ai agora o que é que eu faço..."? De nada! Com essa atitude só conseguimos ficar mais enervados ou deprimidos... Sei que muitas vezes não controlamos estes sentimentos, pelos menos nos primeiros minutos depois de acontecer a "desgraça" mas depois temos mesmo de aprender a contornar a "cena", levantar a cabeça e ir atrás do prejuízo.

Se há coisa que estes quase 36 anos me trouxeram foi a serenidade e o poder de encaixe para aceitar as más noticias, os percalços, pois só quando aprendemos a deixar de resistir aos problemas é que as respostas aparecem.

Se pensarem bem sobre o assunto é assim sempre! Só quando aceitamos a situação, seja ela qual for, é que conseguimos ver além dela e é aí que chega a solução. Claro está que o processo de aceitação varia directamente consoante o grau (chamemos-lhe assim) do problema, mas a partir daí são "peaners" como diria o outro.

Foi neste processo de transformação interior, com o alto patrocínio da maternidade, que descobri o Mindfulness (sim, fiquei mais calma mas amorfa não. Por isso para aquelas coisas que ainda me fazem ferver o sangue tive de encontrar estratégias para me defender) .

"Prontos"! Agora quem não está comigo há algum tempo está a ter um piripaque a pensar que devo andar a chutar para a veia ou assim mas estejam sogaditos que não passa nada. Continuo a mesma birrenta de sempre, só que com outro jogo de cintura. Normalmente digo algumas C@&%&$#das mentais à moda da minha terra, que isso ajuda a descomprimir (daí se calhar a malta lá de cima ser mais extrovertida e bem disposta, lá está) e depois bola prá frente.

Resolvi crescer e deixar de sofrer tanto com coisas que nada valem e que não dependem de mim, porque essas não são importantes. O importante (e agora vêm a lamechice) é a família, os amigos e a saúde de todos. O trabalho não é importante?! Claro que sim, é ele que nos paga as contas e é com ele que nos inserimos na sociedade, mas será mesmo que temos de viver para o trabalho?! Não! Só seremos bons profissionais se formos pessoas felizes e equilibradas e quem vive só para o trabalho, dificilmente reunirá estas condições.

Bem esta "volta" toda para dizer que não, não estou sempre bem disposta. Sim, tenho os meus problemas mas tento não "descarregá-los" em cima dos outros (bem o meu maridão deve por esta altura estar a fazer uma mega careta a revirar os olhos mas com ele posso eu bem! Paulo, já sabes que as faíscas queimam sempre quem está mais próximo e tu tens sido o feliz contemplado =

 

 

P). E isso reflecte-se em tudo desde o trânsito, na forma como lido com os meus filhos ou até como cumprimento quem se cruza comigo diariamente, de tal maneira que pensam que estou sempre bem disposta quando ando muito longe disso (sabe Deus às vezes como vai a alma mas tento não contagiar os outros com a minha nebulosidade).

 

E então? Já tinham ouvido falar em Mindfulness? Gostavam de fazer um exercício prático, para testarem como funciona quando aplicado à minha maneira, ou seja, desabafando à moda do norte em primeira instância?

Então vamos a isto: Há más noticias do IRS?! C@$%&$# de M#$«@! Respira fundo, concentra, conta até 10, expira... Mas como é que vou ter de pagar este ano? E onde é que eu vou desencantar dinheiro para o fazer? £§@&%# AH, querias ir de férias de pulseirinha?! Ahhhgggrrrr F%#%»& d@ FRUT@!! Inspira, conecta com o teu batimento cardíaco, expira... Se calhar vais até alí à Caparica (e isto indo a nado que a ponte está a um preço que não se pode!) e já gozas. Que filh@ d@ putice peg@d@, grrrrrrrr. Enche o peito de ar, conta até 10. Melhor contar até 1000 ou até perderes os sentidos (o que acontecer primeiro, vá lá não sejas pieguinhas) que isto do Mindfulness funciona para tudo menos para o c@r@lho do fisco!!

(Correu bem isto, hâ? =P)