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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

Hora da paparoca - o início

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Como tinha prometido aqui vou passar a partilhar convosco as experiências cá de casa com a introdução da alimentação complementar. Ainda não sei bem em que moldes (se num dia da semana específico, se em texto, foto reportagem, se em vídeo...), por isso se os interessados no assunto tiverem alguma expectativa ou sugestão - falem agora ou calem-se para sempre :P 

Sabendo que esta fase pode ser bastante desafiante para as famílias e porque sou muitas vezes interpelada com estas dúvidas, resolvi, sem querer impor-me nem me sobrepor às indicações do médico ou pediatra assistente, criar então a rubrica das paparocas. Aviso já que não sou nenhuma expert em culinária, apenas vou adaptando receitas que encontro, que não me baseio apenas numa teoria ou corrente mas que faço como que uma mescla delas e vou adaptando à realidade cá de casa.

Mas comecemos pelo início: as compras e como as fazer de forma inteligente.

Não sei se se passou o mesmo convosco mas cá em casa só começamos a pensar mais sobre a qualidade dos alimentos na altura em que passamos a dá-los à nossa filha mais velha. Antes de sermos pais, às vezes jantávamos um balde de pipocas a acompanhar um filme, ou queijo e um bom copo de vinho (saudades desse tempo de "liberdade").Agora tem de haver sempre sopa feita, legumes e fruta fresca, além dos pratos principais que tentamos que sejam alternados entre peixe e carne diariamente. Não, não somos nem pretendemos ser pais perfeitos, cá também se comem bolachas, papas e frutas de pacote mas tentamos que seja uma coisa muito esporádica, só mesmo quando não há outra alternativa, que seja a excepção e não a regra. Temos consciência que "somos aquilo que comemos" e por isso para criamos crianças saudáveis temos de dar especial atenção a este capitulo. A introdução alimentar é vista por nós como uma oportunidade única para educar o paladar dos nossos filhos! Se não lhes dermos papas ou iogurtes com teor de + de 30% de açúcar (e não fiquem escandalizados porque que se lerem a informação nutricional da grande maioria das marcas de comida para bebés é isso que encontram) nunca irão sentir falta disso e irão adorar as vossas papas de aveia ou outro cereal adoçadas apenas com fruta.

Por outro lado se com esta conversa julgaram que este blogue pertence a uma família de gente abastada que só compra alimentos biológicos, desenganem-se. Cá em casa fazemos muitas contas de sumir (não, não me enganei... São mesmo contas de sumir) e parece que sobra sempre muito mês no fim no ordenado (ah e não me enganei outra vez :P) por isso tivemos de criar estratégias que nos permitissem adquirir bons produtos à medida na nossa carteira, que infelizmente não permite muitos devaneios.

E foi assim, nesta busca por coisas boas aos melhores preços que descobrimos alguns "truques" (se calhar vou cair no erro de estar para aqui a "chover no molhado" porque já estão carecas de saber isto, mas como eu gostava que me tivessem passado esta informação, aqui vai):

  • comprar nos mercados locais - comprar as frutas e os legumes nos mercados sai substancialmente mais barato que nas grandes superfícies pois há menos intermediários entre os produtores e o consumidor e assim os produtos estão menos inflacionados, especialmente se forem mais tarde porque o preço vai descendo à medida que o dia avança - temos a sorte de ter um mercado semanal mesmo à porta de casa e somos fieis a uma banca em que os vendedores são produtores de grande parte da mercadoria que vendem, às vezes biológica mesmo sem nos custar os olhos da cara;
  • prove - programa governamental que visa exactamente diminuir os intermediários entre o produtor e o comprador, permitindo às famílias abastecerem as dispensas de produtos locais aos melhores preços. Há vários pontos de entregas por todo o país e as mesmas são feitas semanal ou quinzenalmente. Nós optamos por recolher o nosso cabaz composto por variadíssimos legumes e frutas apenas quinzenalmente, primeiro para podermos escoar tudo o que enviam e depois para podermos escolher no mercado que temos perto de casa o restante. É que ao aderirmos ao prove podemos escolher 5 produtos que não queremos nunca receber, mas outros há que vão sendo repetidos por serem da época e se fossemos todas as semanas estaríamos sempre a comer o mesmo e assim não corremos esse risco;) o cabaz que recolhemos na nossa zona custa 10€ e vem bem abastecido conforme podem ver nas fotografias. Ainda por cima, o nosso local de entrega fica num sítio mágico para ir com a pequenada porque podem ir conviver com a bicharada - a Nena adora ir dar as folhinhas das couves ou alfaces (o que houver no cabaz) à cabrinhas e cenouras aos burros e aos cavalos! 

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  • comparar preços - além do que referi acima temos também de fazer um exercício mental (ou no meu caso que tenho memóriadepeixepiorqueaDori, apontar) os preços dos artigos que mais consumimos porque muitas vezes caímos na esparrela de achar que é uma grande promoção e o preço (que marca ter menos 40 ou 50%) ainda assim é mais caro que na concorrência. Há grandes superfícies mais caras numas coisas mas mais baratas noutras e se como nós, normalmente não tem tempo nem vida de andar a "saltar nas pocinhas todas" faça um apanhado dos produtos que mais consome e passe a ir ao sitio, onde por norma são mais baratos. Grão a grão...
  • Abastecer - sempre que um determinado artigo que usa sempre esteja mais barato, mas verdadeiramente mais barato (daí ser muito importante o ponto anterior) abasteça-se para o Apocalipse. Pode custar um bocadinho na altura mas depois vai compensar quando estiver semanas a fio muito mais caro... Vá por mim, não há nada pior de ter de largar mais notas uns dias depois da promoção por uma coisa que poderíamos ter antevisto que iríamos precisar. Para este ponto também pode ajudar ir contabilizando quanto de um determinado artigo gasta por mês - por exemplo quantos litros de leite, ou manteiga, etc. Se é como eu, que não fazia a mais pálida ideia e que nunca soube fazer compras mensais, vá juntando os talões do super e no final daquele mês contabilize ;)
  • Carne e peixe - por muito que me custe dizer isto, nesta matéria ninguém bate os grandes... Por norma sou defensora dos mercados, do comércio local consumindo preferencialmente nestes pontos, mas por mais tentativas que faça não consigo encontrar preços mais baixos para carnes e peixes do que nas grandes superfícies porque quando há promoções, os pequenos não conseguem nem de perto nem de longe acompanhar. Por exemplo - cá em casa consumimos muito das chamadas carnes brancas e comprar peitos de frango a 7€/ kg é muito diferente de comprar a menos de 4€. O que faço é comprar grandes quantidades sempre que encontro estes preços, pedir para irem colocando em saquinhos já com as doses que consumimos habitualmente e ir congelando. O peixe compro muitas vezes congelado, por um lado porque mesmo que compre fresco, não consumindo tudo na altura da compra vai parar também ao congelador e depois por causa do preço que normalmente é mais baixo. Neste último ponto, tenho a preciosa ajuda de uns vizinhos que pescam e que volta e meia têm uns excedentes que me vendem ao preço da "uva mijona" - no outro dia venderam-me 5 kg de polvo a 5€ /kg! 
  • Faça você mesmo - neste ponto também eu era daquelas que ao acompanhar alguns blogues de alimentação saudável e nos quais ensinavam a fazer, por exemplo, o próprio leite vegetal ou vinagrete pensava "está certo, esta gente não deve ter mais que fazer. Tenho cá tempo para estas mariquices!". No entanto e com a ajuda de um robot de cozinha posso dizer-vos que experimentei e que em 2 breves minutos tem um litro de leite de aveia (quem diz este diz outro mas este é dos preferidos cá de casa pelo sabor mais neutro) por menos de 30 cêntimos quando no supermercado rondam o 1,70€. Ah e a melhor parte é que é sem corantes, conservantes nem adição de açúcares. Dura uns 4 dias no frigorífico mas numa casa de família um litro de leite voa num instantinho. O que faço normalmente é aproveitar enquanto estou na cozinha a preparar outras refeições e adianto logo uns 3 ou 4 litros que dão para a semana e não ter de preocupar mais com isso. Agora faça as contas e numa casa onde em média se consumam 12 litors de leite por mês estará a poupar cerca de 17€, só no leite! Absurdo não é? A poupança que conseguimos por fazer alguns produtos que por norma compraríamos no super, permite-nos gastar mais noutros produtos de qualidade sem peso na consciência como mel ou óleo de coco, por exemplo. E se como eu também é séptico em relação ao gasto do seu precioso tempo, experimente e vai ver que não se arrependerá na altura em que fizer as contas ;)
  • Faça ementas - este é outro ponto onde também poderá pensar que vai perder muito tempo mas depois de começar nunca mais irá parar, acredite em mim que também não tenho tempo para me coçar. Então aqui o segredo é ir às compras  e fazer as ementas apenas depois (se cair no erro de fazer o contrário o que lhe irá acontecer é gastar mais dinheiro para trazer os ingredientes que precisa para cumprir o seu plano pois nem sempre serão produtos de época ou que estejam em promoções). Então faça as compras, faça uma lista de refeições de acordo com as mesmas e siga-a. Vai ver que nunca mais terá o dilema de "mas que raio vou eu fazer para o jantar?" ou "porra, esqueci-me de por qualquer coisa a descongelar e agora tenho de ir a voar ao super!". Vai poupar muito tempo e dinheiro com esta técnica porque depois, numa fase mais avançada, vai poder inclusivamente prever em que refeições terá sobras que poderá adaptar e e utilizar nas seguintes (e constrói a ementa já com estas premissas). Por exemplo, sempre que faço bolonhesa  a carne "cresce" sempre para um empadão ou para uma piza.

Estas são as estratégias cá de casa que encontramos para conseguirmos consumir bons produtos sem ir à falência  e economizar também o pouco tempo que temos para estarmos juntos e desfrutarmos da nossa companhia. Como disse acima não sou nenhuma fada do lar, não tenho nenhum gosto especial pela cozinha mas como mãe não tenho outro remédio senão fazer-me à pista =p e encontrei aqui algumas formas de estas tarefas não serem tão custosas (em dinheiro e em tempo).

Desta forma providenciamos uma alimentação o mais limpa de corantes, conservantes, aditivos possível aos nossos filhos sem ter necessariamente de gastar mais.

Espero que tenham gostado da primeira publicação da rubrica Na hora da paparoca, daqui para a frente serão mais no sentido de operacionalizar a coisa mas achei importante começar pelo básico para demonstrar que comer bem não tem necessariamente de estar vedado a quem não tem tempo nem dinheiro para mariquices. Ah e queria acrescentar que irei apresentar soluções de alimetação saudável para toda a família e não apenas para os petizes, por isso stay tuned.

E por aí? Que estratégias usam para não irem à banca rota? Contem-me tudo e não me escondam nada, porque há sempre hipóteses de melhorar e de tornar o nosso rico tempo e dinheirinho mais eficientes!

Nota - Como sabem eu cá gosto mais de escrevinhar umas coisinhas, mandar umas postas de pescada pró ar e por forma a perceber que este assunto vos interessa e se realmente vale a pena fazer desta rubrica (que vai dar água pela barba aqui à leiga em fotografia e vídeos - shame on me :|) uma presença assídua aqui na chafarica, digam de vossa justiça. Comentem por favor se têm interesse, em que moldes vos faria sentido e que dúvidas têm para que eu possa dar um rumo à coisa que vá ao encontro das vossas necessidades e expectativas;) Obrigadinha.

 

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