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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

Finalmente de volta!

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Estive "fora de circulação" durante muito tempo nestes últimos três anos e meio: foram as gravidezes de risco que me obrigaram a abrandar a velocidade cruzeiro dos meus dias e a repousar tipo cachalote encalhado na areia (aqui a utilização deste animal não é coincidência), depois os pós partos, a privação do sono e os seus pontapés na cabeça que nem sabia se era de noite ou de dia, se era verão ou inverno. O não me encontrar por detrás daquelas olheiras, dos cabelos por pintar, da depilação por fazer, dos quilos que teimam em não ir embora...

Quando pensava que iria finalmente abrandar o ritmo, porque a Nena finalmente passou a dormir um pouco melhor e já não mamava tanto durante a noite CATRAPUZ percebo que já estou grávida outra vez (esta segunda não estava planeada para tão cedo) e que vamos voltar ao ponto de partida. Yeahhhh! Não entendam mal, queríamos muito o Mateus mas um pouco mais tarde para podermos recuperar um bocadinho o fôlego. Ao segundo por um lado já é mais pacífico, já sabemos ao que vamos, já confiamos mais no nosso instinto e no nosso corpo, mas por outro já há um crianço mais velho que é preciso continuar a acarinhar e a amar mesmo que faça uma daquelas birras descomunais porque o mano está a dormir e o quer acordar à força ou mesmo sem motivo nenhum (as maravilhas dos terrible two - mal posso esperar pelos terrible three. NOT!).

Ora, como mulher fui ficando sempre para último plano. Eu sei que não há desculpa e que mulheres há que conseguem sempre manter o foco em si e nas suas prioridades mas eu nem ao ginásio conseguia ir sem pensar que estava a roubar aquele precioso tempo à minha filha. Sempre que me convencia a mim própria a deixá-la mais um bocadinho na escolinha (sim porque ambos têm que ingressar no infectário logo que se acabam as licenças, o que é "só" mais um duro golpe para o coração de uma mãe) para puder ir fazer alguma coisinha por mim abaixo, ficava a sentir-me a pior das mães e o que quer que fosse fazer "sabia-me" mal. Neste aspecto a cabeça dos homens é muito mais descomplicada que a nossa, ou então a minha é que é muuuuuito complicadinha. Enfim, vesti a pele de mãe e não percebi que me estava a anular enquanto mulher.

Mas, felizmente, desta vez a coisa já não se deu exactamente da mesma maneira. Quando subi para a balança no final do ano depressa percebi que aquele ciclo de me colocar em último lugar tinha de acabar. Já era mais que tempo de trazer a Inês de volta à minha vida e de tomar o controle da situação. Contei-vos aqui como voltei ao meu peso habitual e isso foi mais de meio caminho andado para o resto voltar gradualmente. O nosso amor próprio e a nossa auto-estima dependem muito de gostarmos de ver o nosso reflexo no espelho e temos de encontrar alguma forma de o fazer - perder ou ganhar peso consoante a situação (é muito menos frequente mas situações há em que é o baixo peso que não gostamos de ver ao espelho), dar cabo da trunfa cheio de brancos que se tornou o nosso cabelo ou da gaivota que deixamos crescer no meio das nossas sobrancelhas que mais parecemos a Frida... 

É claro que no meio das cólicas, das noite mal dormidas e das birras é muito mais fácil ceder ao cansaço, à gula e ao conforto que um belo prato de massa carregado de molhenga com natas nos trás mas depois há o reflexo no espelho e aquilo que isso representa por isso há que manter a determinação. Penso que o ponto de viragem foi voltar a sentir-me bem nas minhas roupas coisa que não acontecia desde que deixei de fumar há 6 anos atrás, na altura ganhei cerca de 8 quilos e apesar de ter perdido alguns, nunca mais me senti confortável com algumas peças. Voltei a gostar de ir à compras para mim, o que é um perigo acrescido para a carteira pois já não bastava perder-me em roupinhas para os miúdos... Continuo a trazer muito mais para eles do que para mim, como qualquer mãe que se preze, mas voltei a gostar de ver as tendências o que já não acontecia há séculos. 

Neste processo de transformação tive a ajuda preciosa  e fundamental de uma grande amiga. Para terem uma noção de quanto ela é minha amiga, foi "só" uma das minhas duas madrinhas de casamento. A Diana Seguro (coloco sobrenome porque com a minha pontaria, a outra também se chama Diana :p) é ela própria um exemplo de transformação a seguir pois, também ela mãe de duas crias, largou tudo, saiu da sua zona de conforto para correr atrás do sonho de ajudar mulheres a alcançar os seus objectivos. Como life designer e health coach ajuda mulheres que, como eu, não estão bem com a sua pele, a serem mais felizes, a terem uma vida à sua medida e sobretudo mais saudável.

Com o seu empurrão, as suas dicas e receitas consegui transformar a alimentação cá de casa por forma a recuperar a Inês dos bons velhos tempos (e que saudades eu tinha dela) sem me privar das coisas boas da vida. Espero que ela não se importe que esteja pr´aqui a falar dela mas estou tão, mas tão feliz com os resultados que não poderia deixar de partilhar convosco como cheguei até aqui, até porque é basicamente o que toda a gente me pergunta atualmente.

É tao fácil esquecermo-nos de nós quando somos mães. É tão fácil negligenciarmo-nos que por vezes é preciso que alguém nos pegue por um pestano, como diria a minha avó, e nos lembre que faremos os outros mais felizes se também o estivermos. Admiro muito aquelas mulheres que nunca perderam o foco em si próprias mas eu admito que não foi de todo o meu caso - Eu tive de me redescobrir e a Diana foi peça essencial nesse processo.

Claro que o mais importante de tudo é sentirmo-nos bem na nossa pele mas o reconhecimento dos outros ajuda imenso. Ter sido recebida no trabalho em ambiente de "qual é o teu segredo?", "conta-me como consegues" ou "estás cada vez mais bonita!" foi a cereja no topo do bolo, ou não... Talvez tenha de vos confessar que a cereja no topo do bolo foi mesmo sair do carro no outro dia de manhã, quase à porta do trabalho, depois de uma noite em que mal dormi umas 4 horas porque o Mateus estava entupido e acordava de 10 em 10 min engasgado em gosma, e ser recebida com piropos lançados por uma grupeta de homens que estava a conversar no passeio. Isto normalmente levar-me-ia aos arames ao nível "não devem ter mais nada para fazer, seus babões de m&#$%" mas naquela manhã, depois de um longo caminho até aqui e até mim, pensei: "Estou finalmente de volta!"