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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

6 meses! (e agora?)

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Caramba, já tens 6 meses! 

Com cliché ou sem cliché, o tempo voou até aqui! Estás cada dia mais lindão, mais fofo e mais apaixonado pela mana <3

Não tinha programado escrever sobre isto hoje mas desde o início do blog, por causa da minha formação, tenho sido abordada por seguidoras com dúvidas acerca da amamentação e nos últimos tempos sobre a introdução da alimentação complementar, uma vez que sabem que se está a aproximar essa fase cá em casa.

O Mateus já está um homem crescido, tão crescido que já vai começar a comer! Como assim? "Já" vai começar a comer? Já não vai atrasado?

Ora bem, ao contrário do que a maioria dos pediatras ou médicos de família "pregam", os bebés devem iniciar a alimentação complementar apenas por volta dos 6 meses e quem o diz não sou eu, não senhora. Quem o diz é "só" a Organização Mundial de Saúde e a Sociedade Portuguesa de Pediatria.

Mas então, se assim é, porque carga de água é que a grande maioria dos profissionais de saúde continuam a pressionar para que a introdução dos outros alimentos que não o leite seja feita logo a partir dos 4 meses? Pois, não faço a mais pálida ideia... Poderia pensar-se que é porque existe uma grande percentagem de bebés que já não são amamentados nessa idade mas eu amamentei  os dois (e amamento ainda o Mateus) e fui pressionada de igual forma para começar o "bife com batatas fritas" como diz o pediatra dos miúdos. É um querido (é a sorte dele senão já tinha ido com os porcos), descomplicado e super disponível para consultas de urgência, sms etc mas no que concerne à amamentação está a precisar de um refreshzinho...  Dessa poda percebo eu, por isso está tudo controlado. O problema é quando a mãe (e restante família) não estão "por dentro", aí é que começa o "sarilho".

Já devem ter percebido que estou a utilizar muitas aspas hoje mas quando se fala em amamentação temos de ter "pézinhos de lã". É que se por um lado as mães que não conseguiram amamentar muito tempo ou que simplesmente não quiseram amamentar ficam (com toda a razão) muito ofendidas com determinadas pressões e preconceitos, nós as que amamentamos até que a criança decida deixar de mamar (chama-se a isso o desmame natural) também sofremos horrores nas mãos de quem está sempre a culpar o leite materno  por tudo (Não dorme? Tens de lhe tirar a mama! Tem cólicas? É da mama! Chora? É fome! Vomitou? Foi do leite! É magro? É do leite! É gordo? É do leite! ... Nem imaginam as barbaridades que já ouvi como mãe, enfermeira e CAM - conselheira de aleitamento materno - sobre o leite materno) e pressiona para desmamar as criaturas precocemente. E um dos factores responsável pelo desmame precoce é precisamente a introdução da alimentação antes do tempo, ou seja, antes dos  6 meses.

Aliás queria só acrescentar que estudos mais recentes já indicam que mesmo que a criança seja alimentada com leite artificial, tem todo o beneficio de apenas começar com os sólidos aos 6 meses. O que acontece nestes casos é que o factor económico fala mais alto - sai mais em conta começar com as papas e com as sopas do que manter o leite em pó mais 2 meses...(o que é legitimo, atenção)

Mas voltando um bocadinho atrás e para sistematizar-mos os conceitos, vamos resumidamente chamar os "bois pelos nomes":

  • lactente - nome que se dá a uma criança até completar um ano de idade porque o leite é o alimento principal e primordial até essa altura;
  • alimentação complementar - tal como o nome indica, refere-se à alimentação que vem completar o alimento principal, o leite;
  • desmame precoce - sempre que um bebé deixa de beber leite materno mas que há necessidade de substituir por outro leite, ainda em pó ou outro aconselhado pelo médico assistente;
  • desmame natural - quando a criança deixa de procurar o leite materno e não é preciso substituir o mesmo (sabem que nós humanos somos os únicos mamíferos que continuam a consumir leite depois deste desmame, ainda por cima de outra espécie... Mas isto, como é socialmente aceite, já está bem... As mentalidades já estão felizmente a mudar, talvez pelo aparecimento de cada vez mais pessoas intolerantes.)

Depois destes termos bem revistos temos de pensar noutros "pormenores" que dão força às directrizes da OMS:

Aos 4 meses o bebé já se senta? Por norma, ainda não. A grande maioria dos bebés começa a sentar-se, com algum apoio apenas aos 6 meses.

Quando é que desaparece o reflexo da protusão da língua (comportamento inato que leva a que o bebé empurre com a língua tudo o que tentamos por-lhe na boca)? Por volta dos 6 meses!

Quando é que o bebé começa a conseguir levar com as suas próprias mãozinhas coisas à boca? Adivinhem lá... Aos 6 meses.

Ou seja, tudo na natureza humana aponta para a altura ideal de se iniciar a alimentar complementar - aos 6 meses.

Por estas e por outras é que não consigo perceber porque se insiste tanto em iniciar a alimentação complementar antes do tempo! Chega a ser doentio! Claro está que nunca ninguém morreu por se iniciar antes disso e muitas famílias existem que, mesmo sendo informadas correctamente, têm de começar antes por causa do regresso da mãe ao trabalho. Nem conseguem extrair leite ou no local de trabalho ou fazer um stock antecipadamente que garanta a alimentação do seu filho em exclusivo e nesse caso há que iniciar as sopas ou as papas (conforme a indicação que tenham do médico) para que estas substituam o leite materno naquele período. Mas se se sabe que é o melhor para a criança, quer para o seu sistema imunitário quer para o desenvolvimento de uma relação saudável com os alimentos ao longo da sua vida. Sim, porque sabe-se hoje que comportamentos patológicos como a compulsão ou a evição alimentar resultam de uma introdução alimentar disfuncional, porque não se "respeitaram" os sinais do bebé. Quem é que nunca ouviu alguém a contar que teve de agarrar nos braços da criança para conseguir que comesse mais umas colheres de sopa ou que punha a colher na boca e depois a chucha, para a "enganar"...  Longe de mim estar para aqui a fazer juízos de valor a quem, por desconhecimento ou medo de fazer o filho passar fome, o tenha obrigado a comer (só Deus sabe o que se passa na cabeça de uma mãe que tem um filho que só fecha a boca) mas há que fomentar uma boa relação com a comida. Como? Deixá-lo explorar e decidir o que e quanto comer. Acreditem que o vosso bebé é sábio. Sabe exactamente a quantidade de comida de que precisa. Hoje só comeu duas colheres? Amanhã come mais. Não gostou de banana? Experimenta-se a maçã... 

Outra coisa que me tira do sério, que chego a ficar com os pêlos da nuca em pé, é definirem em MLs a quantidade que a criança tem de ingerir por refeição. Uma coisa é darem uma estimativa para a mãe não se perder outra coisa é dizerem que uma criança tem obrigatoriamente de ingerir  x de sopa + x de fruta. Se nós adultos comemos até ficarmos saciados, por exemplo eu não como a mesma quantidade de comida que o meu marido, porque raio é que um bebé tem de comer exactamente aquilo que os manuais estipulam. Se as contas estivessem bem feitas talvez não houvesse tanta obesidade infantil... Nem todos temos de estar no percentil 50 ou 90 por isso eles também não. Confiem nos vossos bebés porque nunca se ouviu falar de nenhum que tenha morrido de fome, com comida à frente. Se é desafiante ter uma criança que não come ou que come muito mal? Com certeza que é! Mas imaginem o que é terem alguém sempre a obrigar-vos a comer, quando não têm fome.  

Por tudo isto resolvi passar a partilhar aqui na chafarica algumas receitas (a imagem da publicação corresponde aos ingredientes da primeira sopinha do Mateus), dicas e experiências cá de casa no que diz respeito à hora da paparoca e à introdução dos alimentos que acham?

Não pretendo ser, de forma nenhuma, uma sumidade ou autoridade na matéria mas tenho assistido a tanta "desinformação" e recebido tantos pedidos de ajuda que decidi criar esta rubrica.

Ah como eu que teria gostado de ter tido esta ajuda "primeira volta" =P

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