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As birras da mãe

Venturas e desventuras de uma tripeira que rumou a sul. As histórias da filha, da mulher e da mãe.

Doar vida

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Acordar todos os dias é algo que damos como garantido.

Todos os dias adormecemos e todos os dias acordamos e, talvez por isso, deixamos de dar importância ao milagre da vida, à preciosidade de estarmos cá e de termos, todos os dias, a hipótese de estarmos junto de quem mais gostamos.

Parece uma grande mólhada de clichés mas de facto, com quantos mais casos de pessoas que lutam pela sua vida me cruzo, mais me convenço que grande parte de nós não está verdadeiramente vivo até ao momento em que surge uma séria ameaça que põe em causa aquilo a que todos damos por garantido, a vida.

Muito recentemente fiquei a saber que um amigo está numa dessas batalhas estóicas contra o tempo para recuperar a sua saúde e, por consequência, permanecer vivo. Tenho a certeza que sairá vitorioso desta guerra (não me perguntem porquê, mas simplesmente sei que vai) e mais vivo que alguma vez esteve, pois de facto estas experiências têm o lado positivo de nos fazer mudar de perspectiva. Um dia estamos óptimos de saúde mas a maldizer a nossa sorte por termos apanhado trânsito ou porque estamos de férias e está mau tempo e, no outro dia, padecemos de uma doença que tem um nome comprido e esquesitóide comoraioqueaparta e não sabemos se chegamos ao próximo Natal. É do caralho, não é?!

Ficamos a perceber, da pior maneira possível, que os dias nublados eram afinal uma maravilha e que nós somos burroscomócaraças por nos estarmos sempre a queixar de tudo e de todos.

Bem... o propósito desta publicação era mesmo apelar à doação, quer de sangue quer de medula, porque este meu amigo precisa desesperadamente de ajuda de todos e, como ele, há muitas mais pessoas à espera de dadores compatíveis.

Quando comecei o curso de enfermagem, há meia vida atrás, não era aconselhável que os profissionais e estudantes da área da saúde doassem, mas agora já é possível (mediante a avaliação do risco infeccioso do local de trabalho). Por outro lado, as pessoas abaixo dos 50 quilos não podem dar sangue e por estes dois motivos eu nunca doei. E depois, sinceramente, porque a vida encarrega-se de nos dar outras preocupações e nunca mais me ocorreu sequer que as normas tivessem mudado e que já aceitasse sangue ou medula dos profissionais de saúde.

Há uns dias atrás tomei conhecimento do problema de saúde deste meu amigo e fui investigar, tendo descoberto que não só aceitam doações por parte de profissionais de saúde, desde que não exista um risco infeccioso, como também recolhem amostras de sangue que ficam na base de dados internacional para doação de medula, mesmo que a pessoa tenha menos de 50 quilos. Se por acaso formos compatíveis com alguém, então aí é que temos de fazer a dieta da engorda uns dias para atingir os mínimos para podermos doar. Nada que umas lambarices, durante uns dias, não resolvam =P

E sendo assim, lá me dirigi eu a uma unidade móvel para doar a minha amostra. Foi tudo muito simples, rápido e tão indolor como quando fazemos análises. Entrei, preenchi um questionário médico, fui vista por uma médica que fez mais umas questões e advertências e tiraram depois uma amostra para fazer uns testes e me tipificar para a tal base de dados internacional. Quando alguém precisa de doação de medula, inscreve-se nessa base de dados e se eu for compatível serei contactada para doar. Assim: simples, rápido e indolor. 

Ainda tivemos um bónus que a Madalena adorou porque a organização de um festival infantil que estava montado mesmo lá ao lado com uns mega insufláveis estava a oferecer entradas gratuitas aos dadores. Foi um dois em um espetacular :)

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Com este paleio todo queria sensibilizar-vos para a necessidade de realmente doar-mos sangue e medula a quem mais precisa, porque hoje são eles mas amanhã podemos ser nós. Hoje em dia é muito simples e cómodo uma vez que existem unidades móveis às quais podemos recorrer para maior comodidade  (ver o seu paradeiro em www.dador.pt) ou então podemos recorrer aos hospitais. Por exemplo, o meu amigo está internado no Hospital de Santa Maria e, quem quiser, pode lá ir, doar e dizer que é para repor as unidades a serem utilizadas por ele. Quem tiver familiares que estejam a precisar de receber sangue quer por um problema de saúde ou por uma cirurgia programada, a qual implica grandes perdas de sangue e consequente transfusão, pode fazer o mesmo - dirige-se àquela unidade hospitalar e refere que vem doar pelo fulano X ou beltrano Y.

Resumidamente, o dador deve ter entre 18 e 60 anos (se for a primeira dádiva), ter peso e altura superiores a 50 kg e 150 cm respectivamente, não ter doado sangue nos últimos 60 ou 90 dias dependendo se é homem ou mulher e ser saudável. 

Vão, vão ver que não custa nada e que irão sentir-se muito bem por, uma vez na vida, não estarem a pensar só no vosso umbigo ou no raioéquevãofazerprójantar.

Não esperem por amanhã, porque amanhã pode ser tarde para alguém ou, quem sabe, pra vocês.